A palavra permacultura originou-se da expressão em inglês “permanent agriculture“,
porém, hoje, devido a ampliação de sua abrangência pode-se dizer que a
permacultura deriva da expressão “cultura permanente”. E por isso mesmo
não é fácil defini-la em poucas palavras. Então vamos usar aqui uma
definição formal
apresentada há muito tempo atrás pelo próprio Bill Mollison, que juntamente com David Holmgren
estão desenvolvendo a permacultura, desde o início dos anos 1970, na
Austrália, unindo culturas ancestrais sobreviventes com os conhecimentos
da ciência moderna. Permacultura é um sistema de design para a criação de
ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com
a natureza. “Permanent Agriculture” em inglês – nasceu na cabeça de
Bill Mollison, ex-professor universitário australiano, na década de
1970. (Fonte: UFSC)
Clique AQUI para baixar o manual de permacultura
Sebrae lista 9 setores como tendências de negócio para 20159 fotos
1 / 9
A reciclagem de resíduos, como plástico, vidro e alumínio, é um dos setores destacados pelo Sebrae em um estudo que aponta tendências de negócios para 2015; com a maior preocupação dos consumidores com o meio ambiente, negócios atuantes nesse ramo tendem a ganhar visibilidade, segundo a entidade; clique nas imagens acima e veja outros segmentos promissores ThinkStock
Novos negócios ligados a reciclagem, reparação de bens duráveis como carros, motos e computadores são tendência para 2015, segundo estudo feito pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Também compõem a lista serviços de beleza e estética, preparo de alimentos, confecção de roupas e construção civil.
De acordo com o Sebrae, as perspectivas estão voltadas aos segmentos da economia que atendem o mercado interno. O quadro econômico do país é o principal motivo. Segundo Marco Aurélio Bedê, gerente do Sebrae Nacional, em tempos de baixo crescimento da economia, o consumidor fica mais receoso e prefere o conserto de seus bens à troca por novos.
"Passamos por um momento de alta demanda por veículos, aparelhos eletrônicos e imóveis. Isso, no entanto, diminuiu e a tendência agora é que as pessoas façam a manutenção desses bens adquiridos", diz.
O comportamento do consumidor também interfere no mercado. De acordo com Bedê, a população em geral está mais preocupada com o meio ambiente, o que pode impulsionar negócios na área de reciclagem de resíduos.
"A própria crise hídrica no Estado de São Paulo despertou interesse e preocupação das pessoas em manter esse bem natural", afirma. Novas regras sobre coleta seletiva na capital paulista, por exemplo, também podem impulsionar negócios do setor. "O consumidor está mais consciente sobre a necessidade de reciclar."
Negócios que atendem necessidades básicas têm boas chances
De acordo com o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, os negócios promissores para 2015 têm uma forte característica de atender às necessidades básicas da população, que têm adquirido novos hábitos nos últimos anos.
"O mercado interno cresceu muito na última década com a ascensão econômica de milhões de famílias das classes C e D. Isso gerou novas demandas e beneficiou diretamente os pequenos negócios, que oferecem serviços e produtos que foram incorporados ao dia a dia da população", afirma.
Os demais segmentos são atividades típicas de pequenos negócios e tendem a crescer independente da conjuntura econômica, segundo o Sebrae. São empresas de preparação de alimentos, confecções e lojas de roupas, cabeleireiros, comércios de cosméticos, serviços de estética e produção e venda de bijuterias.
Empreendedor deve ter cuidado ao escolher ramo de atuação
No entanto, para ter sucesso nos negócios no próximo ano, não basta apenas investir nas atividades com melhores perspectivas, segundo Luiz Barretto.
"Não podemos afirmar que apenas quem investir nessas atividades colherá bons frutos em 2015. Há chances de sucessos para muitas outras atividades. O importante é se preparar adequadamente para a entrada no mundo dos negócios".
Para chegar a esses resultados, o Sebrae identificou os segmentos com maior potencial de expansão nos últimos anos e os que mais tendem a se beneficiar com as tendências da sociedade.
De acordo com dados mais recentes da entidade, nos dez primeiros meses de 2014 foram criados mais de 1 milhão de negócios formais no país. Esse número está próximo à quantidade de empresas criadas no mesmo período de 2013.
Acompanhe os procedimentos corretos para a realização do descarte de medicamentos.
Grande parte das pessoas descartam medicamentos no lixo comum ou na
rede de esgoto, o que pode trazer grandes prejuízos ao meio ambiente,
como a contaminação do solo, da água e de animais, além de pessoas que
podem encontrar os remédios e fazer uso deles.
Os medicamentos são classificados como resíduos perigosos, devido ao seu potencial de contaminação, e o descarte de medicamentos precisa ser feito de maneira correta para preservar o meio ambiente.
Já para medicamentos vencidos, o ideal é deixá-los em postos de
coleta ou farmácias e drogarias, que farão o descarte correto do
material. O trabalho para descarte de medicamentos no Brasil vem sido liderado pela Anvisa e ganhou força em 2010, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Dica: É muito comum ter em casa medicamentos que ficaram sem uso,
devido à interrupção ou mudança de tratamento médico, ou ainda excedente
da quantidade prescrita. Nesses casos, há duas opções para o descarte
de medicamentos. Se os remédios estiverem dentro do prazo de validade, o
recomendado é doar para postos ou organizações de saúde.
Reciclagem e descarte de lâmpadas, aprenda como agir corretamente:
As lâmpadas possuem compostos recicláveis e compostos tóxicos, por
isso precisam ser descartadas corretamente. Se jogadas diretamente no
lixo comum, as lâmpadas podem contaminar a água e o solo e ocasionar
doenças em seres humanos e animais.
As lâmpadas fluorescentes são feitas de vidro e metal, mas contêm
também fósforo e mercúrio. Quando descartado incorretamente, o fósforo,
por exemplo, é cancerígeno e provoca lesões nos rins e no fígado. O
mercúrio, quando inalado, pode ocasionar dor de cabeça e febre. Por
isso, é essencial fazer o descarte de lâmpadas de maneira correta.
As lâmpadas incandescentes também podem ser recicladas, porque
possuem vidro e componentes metálicos. Tanto as incandescentes quanto as
fluorescentes devem ser descartadas corretamente para serem recicladas e
seus compostos tóxicos serem eliminados ou reaproveitados com
segurança.
Para o descarte de lâmpadas correto, o recomendado é
guardá-las em local seco, de preferência em suas embalagens originais, e
levá-las a um posto de coleta credenciado em seu município. Os postos
mais comuns são lojas de materiais elétricos, equipamentos eletrônicos e
empresas recicladoras. Muitas vezes, o local que recicla lâmpada cobra uma taxa para recolhê-la, e o custo médio é de R$ 1 por unidade.
Dica: Use lâmpadas fluorescentes, elas economizam energia e duram mais tempo do que as lâmpadas incandescentes.
Por Andrea Mieko | Publicado originalmente no Greenstyle
O Natal está chegando e muitos estão se preparando para comemorar essa data tão especial. Montar a árvore, pendurar a guirlanda na porta, iluminar a janela com pisca-pisca e decorar a casa com enfeites natalinos é uma tradição.
O que é novidade para muita gente é que essa decoração toda pode ter um toque de sustentabilidade.
No ano passado, publicamos uma matéria com 8 dicas para um Natal sustentável e outra sobre a escolha mais ecológica entre uma árvore natural ou artificial. Mas este post será dedicado exclusivamente para enfeites de Natal que podem ser feitos com vários tipos de materiais recicláveis que você pode ter em casa. Veja e inspire-se!
Guirlandas
Esta é uma guirlanda feita com rolhas de vinho. No site de Thoni Litsz, o arquiteto ensina como fazer uma. Basta uma base redonda de MDF ou de papel grosso, uma pistola de cola quente, enfeites como bolas e fitas, e claro, muitas rolhas de vinho! Clique aqui para ver o passo a passo.
Já a ideia desta é super simples: basta pintar alguns prendedores velhos e prendê-los em um pedaço de arame com miçangas entre eles. O resultado ficou lindo, não acha? Você pode ver o passo a passo aqui. Já este blog fez uma guirlanda com pregadores revestidos com tecido. Uma graça!
Que tal uma guirlanda da era digital! Improvise uma estrutura circular e cole as peças de tamanhos e formas variadas para deixar esse enfeite bem high tech! Se tiver restos de outros equipamentos eletrônicos, também servem.
Decore o quarto das crianças com esta guirlanda feita com balões coloridos! Para ser realmente sustentável, o ideal é usar balões estourados, usados em um aniversário, por exemplo. Se comprar balões novos, tente não estragá-los ao fazer a guirlanda, para que seja possível enchê-los na próxima festinha! O objetivo é reaproveitar materiais e evitar o desperdício e o descarte.
Sabe aqueles pedaços de papel que sobraram na hora de embrulhar os presentes? Recorte-os em formato de folhas para fazer esta linda guirlanda! Este blog ensina a fazer os recortes, além de mostrar outras fotos de guirlandas feitas com papel de revista.
Árvore de natal
Olha que incrível esta árvore de natal! Ela foi feita com mais de 400 latinhas de alumínio e canos de pvc na estrutura. Os criadores levaram quatro dias para montar e decorar, além de criar o efeito de iluminação. Bem legal.
Este é um modelo bem simples e rústico. Você pode usar pedaços de madeira de demolição ou restos de construção. Para enfeitar, abuse de cores e acessórios fofos para dar vida à sua árvore.
Você tem uma prateleira cheia de livros e não quer gastar dinheiro com uma árvore de natal? Monte uma árvore de livros como esta e enfeite com bonequinhos, flocos de neve e a tradicional estrela dourada na ponta! Árvore mais cult que esta não tem!
Veja que criatividade esta árvore feita com garrafas de vidro! A ideia é usar diversas peças de vidro circulares para servir de base para esta pirâmide de garrafas. Se tiver crianças, pense duas vezes antes de montar uma dessa na sua sala de estar! E mesmo que não tenha, é recomendado usar adesivo.
Esta aqui é fácil e qualquer um pode fazer. É só cortar os papéis em quadrados de vários tamanhos diferentes. Depois é só furá-los e colocar em uma agulha de tricô com uma base meia-lua de isopor. Neste site você pode ver um vídeo de como fazer uma árvore de papel.
Estas aqui são clássicas. Está sem tempo para fazer a decoração natalina? Pegue uma revista e dobre todas as páginas para fazer uma mini árvore do natal! Mesmo que você não tenha nenhuma habilidade para fazer artesanato, vai achar super fácil fazer uma dessa. Neste site você encontra o passo a passo.
Outros enfeites natalinos
Estas bolas de luz realmente conseguiram fazer um efeito incrível. Imagine algumas delas na sua varanda? O mais legal é que são feitas com o fundo de garrafas PET! Bem criativo, não?
Espalhe velas pela casa pra criar o clima natalino. Estes castiçais foram feitos com garrafas PET. Veja mais ideias neste site.
Estes enfeites fofinhos foram feitos com lâmpadas queimadas e um pouco de habilidade com pintura! Veja mais ideiasneste site aqui.
Chegou a hora de reaproveitar aquela calça jeans velha que não tem mais como ser usada por ninguém! Use um molde pra recortar o jeans e fazer essa meia super estilosa. Abuse de retalhos e bordados para deixá-la com a cara do Natal.
O Brasil produz, atualmente, cerca de 228,4 mil toneladas de lixo por
dia, segundo a última pesquisa de saneamento básico consolidada pelo
IBGE, em 2000. O chamado lixo domiciliar equivale a pouco mais da metade
desse volume, ou 125 mil toneladas diárias.
Do total de
resíduos descartados em residências e indústrias, apenas 4.300
toneladas, ou aproximadamente 2% do total, são destinadas à coleta
seletiva. Quase 50 mil toneladas de resíduos são despejados todos os
dias em lixões a céu aberto, o que representa um risco à saúde e ao
ambiente.
Mudar esse cenário envolve a redução de padrões
sociais de consumo, a reutilização dos materiais e a reciclagem,
conforme a "Regra dos Três Erres" preconizada pelos ambientalistas.
A idéia é diminuir o volume de lixo de difícil decomposição, como vidro
e plástico, evitar a poluição do ar e da água, otimizar recursos e
aumentar a vida útil dos aterros.
Tempo de decomposição dos resíduos
Caso não haja coleta seletiva em seu bairro ou condomínio, procure as
cooperativas de catadores e os Postos de Entrega Voluntária (PEVs).
O Grupo Pão de Açúcar também possui pontos de coleta nos supermercados
em todo o país. A iniciativa está sendo ampliada para outras bandeiras
do grupo, como a rede Extra.
Coleta seletiva: veja abaixo quais resíduos podem ser reciclados
A placa ecológica pode ter inúmeras utilidades como construção
de canteiros de obras, fechamento de obras, tapumes, bandejas de obras,
divisórias, outdoors, forros, caixas para transporte entre outras.
Anti-mofo, anti-fungo, não trincam, não quebram, impermeáveis, 100% recicláveis não propagam chamas (fogo), são flexíveis e não deformam, possuem alta resistência (150 kg p/m²), semi-acústicas,
não propagam som, podem ser cortadas em todos os sentidos e a fixação
pode ser com pregos ou parafusos, funcionam também como isolantes
térmicos – retém até 87% da temperatura externa - economizam 26%de energiaelétrica. A PLACA ECOLÓGICA TETRA PAK
pode ser utilizadas para múltiplos fins e substituindo com muitas
vantagens os compensados e madeirite (de madeira). Os produtos são
qualificados através de Laudos Técnicos de ensaios de durabilidade,
impermeabilização, resistência e mecânica.
Tamanhos Disponíveis
As placas possuem um tamanho padrão que é de 2,20 x 1,10 m.
Sua espessura pode ser de 6mm, 8mm, 10mm ou 12mm.
Placa Ecológica Tetra Pak
A importância de utilizar as placas ecológicas tetra pak
Por ser produzida a partir da reciclagem de embalagens, de tetra pak a
placa Ecológica é um produto com diversas vantagens técnicas, além dos
benefícios Ecológicos. A reutilização de material reciclável está
trazendo nova alternativa para a construção civil. Um exemplo bem
sucedido de reciclagem ocorre com as embalagens do leite de caixinha.
Mas a principal vantagem é o beneficio ambiental, já que a telha é feita
com materiais para os quais os destinos mais comuns seriam os lixões ou
aterros sanitários. Estima-se que, dos 6 bilhões de embalagens de longa-vida produzidas por ano no pais, menos de 14%são reaproveitadas. A natureza leva até 180 anos para decompor, em função do plástico (20% da composição) e alumínio (5%).
Portanto utilizar na construção habitacional e utensílios domésticos
pode ser uma ótima alternativa de reaproveitamento deste material.
Conceito aplicado pela indústria de lâmpadas
desde os anos 20 do século passado, a “obsolescência programada” é tema
relevante para a reflexão sobre consumo e tecnologia. A cineasta alemã
Cosima Dannoritzer e o artista brasileiro Lucas Bambozzi, entre outros,
discutem o assunto em suas obras.
Desde a Revolução Industrial, a relação entre consumo, indivíduo e
sociedade tem sido uma das principais discussões dentro das Ciências
Humanas, que buscam, desde então, entender e explicar como o novo modo
de produção transforma e afeta a sociedade moderna. Com a produção em
massa, surgia também a necessidade da indústria de conhecer melhor o
perfil dos seus consumidores e, principalmente, de criar novas maneiras
para incentivá-los a comprar cada vez mais. Foi na década de 1920 que a
indústria de lâmpadas decidiu então aplicar o conceito de “obsolescência
programada” na linha de produção, o que reduz a vida útil dos produtos
para que o consumidor tenha de trocá-lo com mais frequência.
A ideia de diminuir o tempo de uso de produtos apareceu pela primeira
vez em 1925, quando o cartel Phoebus, formado pelos principais
fabricantes de lâmpadas da Europa e dos Estados Unidos, decidiu reduzir o
tempo de duração de suas lâmpadas de 2.500 para 1.000 horas, a fim de
aumentar o lucro das indústrias filiadas. No entanto, o conceito de
“obsolescência programada” só viria a ser criado mais tarde pelo
norte-americano Bernard London, um investidor imobiliário, que sugeria a
obrigatoriedade de uma vida útil mais reduzida para os produtos, como
forma de impulsionar a economia, que passava pela crise de 1929.
Considerada um tanto radical para a época, a ideia de London não foi
colocada em prática no início da década de 1930, mas sim durante a
década de 1950 pelo designer industrial Brooks Stevens, que já era
famoso por seus desenhos modernos no desenvolvimento de produtos.
Stevens defendia veementemente a obsolescência programada e argumentava
que esta dependia do consumidor: todos os consumidores desejam novos
produtos no mercado e são livres para decidir comprá-los ou não,
independentemente da duração dos mesmos. Com a redução da vida útil dos
produtos e o desenvolvimento da propaganda, o desejo de possuir o novo
era cada vez mais incitado no consumidor, que deixava de comprar por
necessidade para consumir por hábito.
Além da relação do consumidor com o produto, o professor da Universidade
de Weimar, Markus Krajewski Krajewski, afirma que outro marco da
obsolescência programada consiste na qualidade dos produtos, que antes
eram fabricados para serem reutilizados e consertados e, desde a
propagação do conceito na indústria, são produzidos para que sejam
substituídos o mais rápido possível. “Se uma mesa não quebra sozinha,
dentro de um certo tempo de uso, o próprio fabricante estipula seu prazo
de validade”, explica Krajewski. Segundo o professor, é provável que
rachaduras sejam inseridas na madeira do pé da mesa de forma
imperceptível para o consumidor, que enxerga as mesmas como um desgaste
natural do próprio objeto e não um defeito proposital para reduzir a
vida útil do produto.
Cultura de consumo e produção de lixo eletrônico
A redução da vida útil dos produtos chamou a atenção da cineasta alemã
Cosima Dannoritzer, que decidiu investigar os rumores comumente
disseminados pelos mais velhos de que “antigamente as coisas duravam
mais”. Para surpresa de Dannoritzer, “a verdade era ainda mais estranha
do que os próprios rumores”. Em seu documentário The Light Bulb Conspiracy (2010 – A Obsolescência Programada),
a cineasta percorre vários países para tentar compreender a influência
deste conceito na nossa sociedade. Ela mostra como este modo de produção
e de consumo mudou a relação do indivíduo com o produto, gerou inúmeras
consequências ambientais e também propiciou a ascensão de resistências
dentro da sociedade contra o consumismo ilimitado.
No documentário, Dannoritzer reflete sobre as relações de poder
sócio-econômico dentro deste sistema de consumo e suas consequências
ambientais. Uma delas é o crescente número de resíduos eletrônicos –
computadores, celulares, chips etc – que, muitas vezes, são
transportados e despejados em países em desenvolvimento, embora haja um
tratado que proíba este tipo de prática. Em seu documentário, a cineasta
registra tal descaso ao mostrar Agbogbloshie, no subúrbio de Accra, em
Gana, que tornou-se um depósito de lixo eletrônico de países
desenvolvidos como Dinamarca, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido,
que enviam seus resíduos sob o pretexto de ajuda ao país de “Terceiro
Mundo”, alegando que estes eletrônicos ainda podem ser reutilizados. No
entanto, Dannoritzer aponta em seu filme que mais de 80% desses resíduos
são, de fato, lixo. E não podem mais ser reciclados ou sequer
reaproveitados.
A produção de resíduos eletrônicos está diretamente relacionada ao poder
econômico: os países que possuem maior renda, consomem mais e,
consequentemente, produzem mais lixo eletrônico. Em uma rodada de
discussões dentro da Rio +20 sobre a produção desses resíduos sólidos (Lixo eletrônico: impactos e transformações - Roda de Conversa Rio+20),
a especialista do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do
Meio Ambiente, Andréa Caresteada, reforçou esta relação ao falar sobre o
crescimento da classe média no Brasil que, segundo ela, já alcançou o
número de 100 milhões de pessoas. A especialista relata que, com o
aumento de poder de compra, cresceu também o consumo de
eletroeletrônicos que correspondem a eletrodomésticos, computadores e
celulares, por exemplo. Caresteada admite, no site do evento, haver uma
disparidade entre o poder de aquisição e educação ambiental, pois ainda
falta consciência quanto à produção de resíduos eletrônicos e ao hábito
de consumo.
De acordo com Krajewski, uma das grandes diferenças entre países
industrializados, como a Alemanha e os Estados Unidos, e os emergentes,
como a China e o Brasil, é o fato de a maior tradição da obsolescência
programada nos primeiros possibilitar a instituição de um movimento de
resistência, tanto na esfera política quanto na cultural. Na arquitetura
e em determinados setores da manufatura, na Alemanha, o professor
observa, por exemplo, que ainda há preferência pela durabilidade em vez
do desgaste rápido de materiais através do “Manufactum-Prinzip”
(princípio de manufatura), termo criado por uma cadeia de lojas de mesmo
nome, cujo slogan é “Es gibt die noch, die guten Dinge” (Elas ainda
existem, as coisas boas).
Porém, o documentário de Dannoritzer indica que ainda há falta de
responsabilidade social de países industrializados em relação a resíduos
eletrônicos. Nas cenas que retratam o lixão de Agbogbloshie, o ativista
ambiental Mike Anane mostra o local onde os restos de computadores,
impressoras e outros eletrônicos são despejados. Ele cresceu na região e
conta que, onde agora há somente lixo, antes passava o rio Odaw. No
local havia uma comunidade de pescadores, onde ele próprio passou parte
de sua infância. O documentário de Dannoritzer mostra que hoje, no lugar
das crianças e dos pescadores, jovens de famílias pobres queimam os
objetos despejados para retirar o plástico e guardar o metal, para que
este seja vendido e possivelmente reutilizado.
Tecnologia, arte e resistência
A professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da
Universidade Federal da Bahia, Karla Brunet, afirma que há grande
descaso com as consequências sociais e ambientais causadas pelo
consumismo desenfreado. Ela lembra que o conceito de obsolescência
programada, criado no início do século XX, continua o mesmo, mas é hoje
utilizado sob outra ideia de tempo: “Nossa vida está mais acelerada,
então a própria vida útil de um produto está menor, pois tudo está mais
rápido, queremos tudo mais rápido. Um produto que no passado tinha vida
útil de quatro anos, certamente dura menos hoje em dia”, explica Brunet.
Como o novo torna-se ultrapassado em pouco tempo, há sempre maior
necessidade de comprar para que possamos ter a sensação de pertencer a
determinado grupo social e também de estar em dia com a tecnologia.
Brunet considera a publicidade uma das principais ferramentas para
incitar o desejo de consumo na sociedade atual, por ela ser realizada de
forma mais sutil que no passado. Muitos usuários do Facebook, por
exemplo, “curtem” páginas de marcas, sob a impressão de que estão
afirmando algo de si mesmos, quando na verdade estão fazendo propaganda
para a própria marca. A publicidade e a constante produção de novos
modelos de tecnologia instigam o desejo de consumir, porque elas geram a
sensação no consumidor de que ele “precisa” de determinado objeto e, se
comprá-lo, terá uma sensação de satisfação e pertencimento a um
determinado grupo social.
É o que acontece com celulares. As empresas lançam modelos
incessantemente e, em um ano, o aparelho já é considerado ultrapassado. O
artista Lucas Bambozzi aborda o tema em sua obra, criticando
diretamente o consumismo regrado pela obsolescência programada. Em
vários trabalhos, como Da Obsolescência Programada (2009), Mobile Crash (2010) e Das Coisas Quebradas
(2012), Bambozzi utiliza a tecnologia de sensores para captar ondas
eletromagnéticas de celulares, que ativam o funcionamento de diferentes
máquinas. Segundo o artista, sua obra tenta discutir “a instabilidade
das mídias, as oscilações de linguagem percebidas nos meios de produção
técnica de imagem, o caráter anacrônico dos meios audiovisuais em tempos
de portabilidade, o consumismo e o fetiche ligado aos sistemas
tecnológicos”.
Em Das Coisas Quebradas (2012), Bambozzi reflete sobre
tecnologias de consumo, lembrando que o consumidor também faz parte
desse sistema. Na “instalação-máquina”, um sensor capta as ondas
eletromagnéticas de celulares do público, para ativar uma máquina que
despeja celulares (um de cada vez) em de um compartimento, onde são
esmagados. Sendo assim, quanto mais as pessoas no ambiente utilizam o
celular, maior é o funcionamento da máquina e mais celulares são
destruídos – numa crítica direta ao papel do próprio consumidor na
cultura do uso e rápido descarte, regido pela obsolescência programada.
Neste contexto, a arte passa a exercer uma função de resistência ao
consumismo desenfreado, pois a partir do momento em que o observador se
depara com tal crítica, ele começa automaticamente a refletir sobre seu
próprio hábito de consumo e a adquir consciência de que também faz
parte do mecanismo deste sistema. Dannoritzer acredita que precisamos
nos afastar deste consumismo para evitar o esgotamento de fontes
naturais e reduzir a produção de lixo. Para ela, já há várias pessoas
que “estão se afastando disso com atitudes diárias, pois percebem que o
consumo não é a única fonte de felicidade”. Já Krajewski é mais
pessimista, ao apontar que “as empresas lucram demais com este sistema
para mudá-lo, mesmo aquelas pseudo-verdes, que existem sob a camuflagem
do ecologicamente correto”. Ainda assim, ele defende que os próprios
consumidores têm o poder de evitar determinados produtos e, assim, agir
com consciência dentro da atual sociedade de consumo: “Juntos somos
muitos”, lembra o professor.